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Exitus acta probat, O resultado comprova o ato. A culinária evolui. Não podemos deixar de experimentar um prato, devido ao ritual ortodoxo de fazê-lo. O que interessa é o resultado final, o sabor.
Tem pratos que exigem panelas especiais, condimentos raros, e um verdadeiro ritual alquimista para a sua elaboração. Imaginemos um prato simples, do dia-a-dia dos brasileiros: Feijão. O melhor feijão que eu já comi, foi deixado 24 horas de molho, sendo água trocada várias vezes. Depois disso foi cozido em uma panela de ferro, sem pressão, á lenha. Um detalhe: foi posto no fogo depois do jantar. Ficou no fogo brando a noite toda. No dia seguinte quando o fogo foi acesso novamente para fazer o café que o cozimento recomeçou. Na hora do almoço estava pronto, um feijão novinho, de sabor inesquecível. Além dos temperos normais, contava ainda com um sabor todos especial, um sabor defumado, que só um fogão à lenha proporciona.
Sei que qualquer um que provar, também não irá esquecer. Mas nem por isso deixaremos de comer um feijãozinho feito na tradicional panela de pressão, colocado para cozinhar uma hora ante de ser servido.
Isso é o que acontece com qualquer prato. Não podemos deixar de fazê-lo só porque não temos tempo, ou não temos a panela, ou porque falta um tempero. Tudo é permitido desde que seja saboroso. Faça do seu jeito, mas faça.
Exitus acta probat
Acredito que a maioria dos Árabes que vieram para o Brasil no final do Século XIX e início do Século XX, eram Árabe-cristãos e deve ser verdade que todos que vieram fugidos de conflitos. Acredito também que a grande maioria destes árabes, são de origem Sírio-Libanesa. Mas de uma coisa eu tenho certeza: parte da cultura Árabe está entranhada na cultura brasileira e faz parte do nosso dia-a-dia. E o melhor, nem percebemos.
Já ouvi em algum lugar que algumas palavras que começa com “al” são de origem Árabe, e basta um rápida olhada no dicionário para comprovar que é verdade. Alface, algarismo, alfaiate, almanaque, almofada, são apenas um pequenos exemplos. Mas é claro que existem muitas outras.
Como é uma cultura milenar e há até quem diga que a civilização iniciou-se no que hoje é o Iraque. Ao comermos um simples quibe, talvez, estejamos repetindo um ato acontece deste de antes de Cristo.
Além disso, os Árabes espalharam-se por várias regiões. Do oriente-médio ao norte da África. No decorrer da história, ocuparam a Europa. Praticaram o comércio com o mundo. Espalharam também seus conhecimentos, suas ciências e sua cultura. São exemplos: a astronomia, a medicina, a matemática e principalmente três religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e a Religião Mulçumana.
Diante disso, fica muito difícil identificar onde surgiu um prato da gastronomia Árabe. O mesmo quibe feito no Líbano, é feito em Marrocos, no Brasil, no Irã, em qualquer lugar do Mundo. Mas com certeza tem um característica que os difere entre si.
Segundo Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Kibbeh), quibe é Kibbeh que significa bola, daí mais um motivo para acreditarmos que seus ingredientes pode mudar de País para País. Segundo o mesmo site, onde Kibbeh pode ser também Kubbah, temos no Iraque o Kubbah Halab, onde a massa é feita com arroz, mas têm também o tradicional carne com trigo conhecido com Kubbah Mosul. A carne usada normalmente é de carneiro, mas as ervas e formato também podem variar. Pode ser servidos: crus, cozidos ou fritos. Uma das variações é a assírio-iraquiana, cozido com tomates e temperos. No Líbano, os quibes crus servidos em um dia são cozidos no dia seguinte.
Mas é na América do Sul/Brasil que o prato tornou-se bastante popular e apresenta uma enorme variação, dentre algumas temos: cru, frito, assado, kibe-pizza, de frango, de carne de porco, com queijo, com carne, com ovo e até mesmo no espeto e ainda podemos recheá-lo com queijo. As formas são mais criativas ainda: redondo, achatado, comprido, com ponta só de um lado, com ponta dos dois lados e oco ou não.
Receita (Marcos Jammal)
Ingredientes:
1Kg de Trigo
1Kg de Carne Moída
500 grs de Cebola
200 grs de Hortelã
100 grs de Salsa
20 grs de Cebolinha
1 colher de sopa de pimenta síria
1 colher de sopa de alho amassado
2,5 colheres de sal
Modo de Preparo:
Coloque o trigo em uma vasilha e adicione água fervendo até cobrir. Aguarde até que o trigo absorva toda a água e fique macio. Acrescente a carne moída, o sal e os demais ingredientes moídos. Misture bem e passe tudo uma única vez na maquina de moer. Amasse mais um pouco e está pronto para servir.
Caso prefira enrole e frite ou espalhe em um tabuleiro bem untado com manteiga de leite, acrescente uma camada de carne moída temperada e refogada e mussarela, e outra camada de quibe. Espalhe mais manteiga de leite por cima. Corte os pedaços do tamanho que deseja servi e asse em forno médio.
Não tem máquina de moer carne?
Bata os temperos no Multeprocessador e a massa uma única vez também.
PS: Escolha uma carne moída de excelente qualidade e sem gordura. Fraldinha por exemplo. Apesar de ter gordura e fácil retirá-la. Também é uma das fáceis de limpar.

